Patrimônio cultural é tema na Escola de Liderança Comunitária da Unesc

Patrimônio cultural é tema na Escola de Liderança Comunitária da Unesc

Quando pensamos em história e patrimônio cultural, é comum que a mente viaje até grandes museus, livros didáticos antigos ou monumentos protegidos por lei. No entanto, para os moradores de Criciúma, a verdadeira história muitas vezes guarda suas raízes dentro de uma gaveta de fotografias antigas, na memória de um trabalho no chão da mina de carvão ou nos causos contados nas esquinas de cada bairro.

 

Foi com o propósito de aproximar os líderes de sua própria trajetória que a Escola de Lideranças Comunitárias da Unesc realizou, na manhã deste sábado (17/10), o seu sexto encontro. Sob o tema “O patrimônio cultural mostra quem somos? Memória, território e comunidade”, o evento reuniu lideranças comunitárias para uma reflexão profunda sobre pertencimento e cidadania.

 

Uma ponte entre o saber acadêmico e a vivência comunitária

 

Representando a diretora de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias (Dirext), Sheila Martinhago Saleh, o professor extensionista Abel Corrêa de Souza, acompanhado da secretária da Dirext, Carla Casagrande Monteiro, destacou a essência participativa do encontro, desmistificando o conceito rígido que muitos têm sobre o tema.

 

“Muitas vezes, as pessoas pensam que patrimônio é algo que diz respeito apenas a estudiosos, mas não é essa a proposta. Incentivamos os alunos a resgatar uma lembrança do seu bairro ou da sua comunidade para enriquecer a conversa e mostrar o significado daquela lembrança como patrimônio cultural do lugar onde a pessoa vive. Queremos despertar o interesse pela preservação cultural de cada localidade e comunidade. O nosso encontro busca trabalhar justamente a memória, o território e o vínculo com a comunidade”, explicou Souza.

Vozes do território: do passado minerador ao futuro coletivo

 

A atividade, em formato de palestra e oficina, foi ministrada pela professora Daniela Pistorello. Durante a dinâmica, os participantes foram incentivados a compartilhar memórias afetivas e elementos simbólicos que ajudam a definir o caráter de suas comunidades. A paisagem urbana, as tradições locais e as experiências ligadas ao ciclo histórico da mineração de carvão ganharam papel de destaque nas conversas.

 

De acordo com a professora Daniela, o ato de lembrar não é apenas um olhar para o passado, mas sim um compromisso ativo com as próximas gerações:

 

“Buscamos discutir o que é patrimônio cultural e se ele mostra quem somos. Cada participante tem suas referências culturais que considera importantes, procurando pensar não apenas no patrimônio material, mas nos costumes e nas tradições culturais. Muitas pessoas já relataram suas experiências relacionadas à mineração e a outros momentos históricos. É reviver o passado e preservá-lo para as próximas gerações. É importante registrar e trabalhar essas experiências, porque, nesse caso, a memória é um registro a partir do qual a história pode ser construída”, destacou a professora.

 

O impacto no cotidiano das lideranças

 

Para quem vive o dia a dia da gestão comunitária, o aprendizado se traduz em novas formas de valorizar o seu espaço e envolver os vizinhos. O presidente da Associação de Moradores do Bairro Pinheirinho e membro do Conselho de Segurança da Grande Pinheirinho (Conseg), Arilton Mezari, enfatizou a importância da iniciativa gratuita mantida pela Unesc.

 

“Estou participando desta sexta aula, que foi muito bem aproveitada, organizada e conduzida pelos professores e doutores da Unesc. É uma grande satisfação e um baita aprendizado participar de um curso gratuito oferecido pela Unesc. Gostei muito do tema. Identifiquei-me bastante com a questão do patrimônio, das memórias e das coisas que a gente guarda. Ainda temos muito a aprender e muita coisa a conhecer aqui na nossa região, em Criciúma. Convido as pessoas a participarem também, porque é muito interessante e gratificante”, ressaltou Mezari.

 

Texto e foto: Decio Batista