Entre técnica e humanidade, Unesc celebra novos profissionais da saúde
A noite de sexta-feira (20/2) consolidou uma travessia acadêmica e projetou novos compromissos profissionais no Sul catarinense. No Auditório do AM Master Hall, novos profissionais formados pela Unesc colaram grau nos cursos de Farmácia, Fisioterapia e Tecnologia em Estética e Cosmética.
A solenidade chancela anos de formação técnica, científica e ética, conduzidos sob um modelo educacional que integra Ensino, Pesquisa e Extensão como eixos indissociáveis. Cada formando chamado ao palco carrega uma trajetória atravessada por estágios, práticas supervisionadas, produção de conhecimento e enfrentamento de desafios que exigem disciplina e resiliência.
Coube às oradoras Aline Cardoso Pereira e Bruna Andrade dos Santos traduzirem a memória coletiva em palavras alternadas. A dupla lembrou que, naquele momento, estavam representando histórias que, anos atrás, decidiram investir no próprio futuro. “Estar aqui hoje, neste púlpito, é uma honra que divide o espaço com o frio na barriga. Quantos ‘nãos’ foram ditos para que o ‘sim’ ao futuro prevalecesse. Quantos deixaram seus lares, enfrentaram viagens longas, viveram a distância do porto seguro para sustentar o sonho”, afirmou Aline.
Obstáculos superados
Por outro lado, Bruna resgatou o contexto que atravessou a formação: a pandemia do coronavírus, que marcou a turma de forma incontornável. Enquanto o mundo se isolava, os estudantes se adaptavam entre telas, máscaras e novas dinâmicas de aprendizagem. “A Covid-19 ensinou, na prática e na dor, que a saúde não espera. Nós nos adaptamos quando tudo parecia incerto, e essa força nos trouxe até aqui. Foram nossos pais e amigos que nos sustentaram nos dias difíceis, que acreditaram quando o cansaço falava mais alto. Sem esse apoio, nada seria possível”, disse.
Com quase 58 anos de história, a Unesc sustenta indicadores de excelência acadêmica reconhecidos nacionalmente e reinveste os resultados no próprio desenvolvimento institucional, o que fortalece um projeto universitário comprometido com a sustentabilidade, a justiça social e a formação humanista.
Na mesma direção, a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes, compartilhou o discurso com os coordenadores dos cursos e sintetizou a essência da formação ofertada. A partir das mensagens de cada coordenação, evidenciou que, independentemente da área, a arte de cuidar constitui o eixo estruturante da identidade profissional que se consolidou na colação de grau.
“A professora Silvia Dal Bó, coordenadora de Farmácia, destacou que ser farmacêutico é unir ciência e cuidado, transformando conhecimento em saúde real. É estar presente no detalhe que salva, orienta e previne. Já o professor Ivan Bernardes Andrioli, da Fisioterapia, sublinhou que os formandos tornam-se agentes de cuidado, prevenção e dignidade na sociedade, elo entre a ciência e a esperança. Na Tecnologia em Estética e Cosmética, a professora Franciele Rabelo ressaltou que a atuação profissional devolve a autoestima e transforma vidas com sensibilidade e base científica”, enfatizou.
Cuidando de si para cuidar do próximo
A partir dessas contribuições, Gisele conduziu a reflexão para um ponto central: a importância de cuidar de si para cuidar do outro, sobretudo em um cenário de “tempos líquidos”, expressão do sociólogo Zygmunt Bauman que traduz a instabilidade contemporânea. Em meio a transformações aceleradas, afirmou, a ciência avança e as tecnologias se sofisticam; contudo, nenhuma inovação substitui o sentido. “O cuidado ultrapassa o procedimento técnico. O paciente não precisa apenas de uma intervenção, mas de ser visto, ouvido e compreendido”, destacou a reitora em exercício, ao sustentar que competência e humanidade caminham juntas.
Ela observou que a Farmacologia evolui, a Fisioterapia incorpora novas abordagens terapêuticas e a Estética e Cosmética se reinventam com biotecnologias cada vez mais precisas. Fala-se em longevidade, regeneração, prevenção e performance. Ainda assim, provocou, persistem o cansaço e o sofrimento humano. Nesse ponto, evocou o pensamento de Viktor Frankl ao lembrar que é a busca de sentido que sustenta a existência.
Quando ele se perde, o adoecimento pode surgir mesmo diante de um corpo aparentemente saudável.
“Viktor Frankl, neuropsiquiatra austríaco, afirmava que o ser humano é movido pela busca de sentido. Não é o prazer, nem o poder, mas o significado que sustenta a existência. Quando perdemos o sentido, adoecemos, mesmo que o corpo esteja aparentemente saudável. E aqui começa a reflexão para vocês, formando. Vocês escolheram profissões que tocam diretamente o corpo, mas que inevitavelmente, alcançam a alma. A Farmácia protege a vida. A Fisioterapia devolve movimento e autonomia. A Estética e Cosmética restauram autoestima e identidade. Mas nenhuma dessas práticas é apenas técnica”, enfatizou.
Ela também ressaltou que a Unesc forma profissionais com visão social e responsabilidade ética, aptos a conduzir transformações no tecido regional. “Em 2025, somente na área da saúde, a Instituição realizou mais de 252 mil atendimentos gratuitos à população, número que dimensiona o alcance comunitário da formação prática vivenciada pelos estudantes”, lembrou.
Ao encerrar, evocou a filósofa Hannah Arendt para lembrar que cada geração responde pelo mundo que ajuda a construir. “Que nunca lhes falte competência, mas que jamais lhes falte humanidade”, concluiu, ao reiterar que a verdadeira arte de cuidar começa no interior de cada profissional.
Consequência da dedicação
“É chato chegar a um objetivo em um instante.” O fragmento da música Metamorfose Ambulante, de Raul Seixas, abriu não apenas o discurso, mas uma espécie de crônica sobre o tempo. O paraninfo, pró-reitor de Administração e Finanças, José Otávio Feltrin, iniciou como quem lembra que diploma não é ponto de chegada repentino, mas consequência da dedicação.
“O que dá valor à conquista é o caminho percorrido e as batalhas vencidas. Ser escolhido para caminhar simbolicamente ao lado de vocês nesta noite é algo que levo como privilégio e responsabilidade. Vocês alcançaram um objetivo que estava no tempo cronológico da vida de cada um. Mas não foi acaso. Vocês foram atrás. Enfrentaram dificuldades, superaram limites, venceram inseguranças e chegaram”, enfatizou.
Ao declarar que já não os chamava apenas de afilhados, mas de colegas de profissão na área da saúde, deslocou o eixo da fala para o presente. Falou de um tempo em que a Inteligência Artificial entrega diagnósticos em segundos e equipamentos modernos analisam com rapidez impressionante. Mas provocou: “E a inteligência emocional? Onde fica o olhar humano?” “Onde mora o cuidado que não se mede em algoritmos? Nós, profissionais da saúde, somos responsáveis por muito mais do que aplicar técnicas. Somos responsáveis por atender um ser humano em sua fragilidade, em sua dor, em sua esperança”, ressaltou.
Agente de transformação
Única Universidade Comunitária do Sul catarinense, a Unesc é uma grande agente estruturante de transformação na sociedade, algo que também foi lembrado por Gisele que ampliou a perspectiva para além da noite de formatura. “É necessário destacar que somos uma Instituição de oportunidades, mas, sobretudo, aquela que amplia as oportunidades. Nunca parem de investir no conhecimento. Se há algo que nos torna livres e conscientes da vida é o investimento contínuo na formação. Por isso, reforço a importância de continuarem investindo em vocês mesmos”, declarou.
A reitora em exercício lembrou que a Unesc conta atualmente com nove programas de Mestrado e seis de Doutorado, reconhecidos em âmbito nacional e internacional. Na área da saúde, estão consolidados o Mestrado e Doutorado em Ciências da Saúde, o Mestrado em Saúde Coletiva e o Mestrado em Gestão da Saúde, todos avaliados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) como programas de alto nível. Na especialização lato sensu, a Instituição mantém cursos alinhados às demandas contemporâneas das carreiras escolhidas pelos formandos.
Ao mencionar que a Universidade possui nota máxima no MEC e figura entre as 150 melhores instituições não estatais da América Latina, além de integrar o grupo das 20 melhores do Brasil em Pesquisa, a reitora situou esses indicadores como resultado de um projeto coletivo. “Acreditamos na educação como caminho de transformação social e no desenvolvimento desta região a partir das pessoas”, concluiu.
Além do diploma
Conforme a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Camila Jacoby, a solenidade vai além da entrega do diploma ao representar a superação de desafios e, sobretudo, o compromisso assumido com o conhecimento e com a responsabilidade social que cada profissão exige.
“Cada um e cada uma que recebe o grau acadêmico carrega a missão de cuidar, promover dignidade e transformar realidades por meio da atuação profissional. Que este momento seja lembrado não apenas como o fim de uma trajetória universitária, mas como o início de uma caminhada ética, sensível e comprometida com a vida e com a sociedade, falou.
Patronesse dos formandos do curso de Tecnologia em Estética e Cosmética, a deputada federal, Geovânia de Sá, afirmou que, quando olha para cada um dos novos profissionais, não enxerga apenas becas e diplomas, mas histórias.
“Vocês escolheram uma área que une ciência, técnica e sensibilidade. Estudaram anatomia, biossegurança, protocolos e responsabilidade profissional. O trabalho não se limita à estética; envolve saúde, autoestima e qualidade de vida. Muitas vezes, é a confiança de alguém que está fragilizado que passa pelas mãos de vocês. Sinto-me honrada por ter sido escolhida como patronesse, o que reforça o meu compromisso de continuar lutando pelo reconhecimento, pela regulamentação justa e pela valorização definitiva da profissão. Que esta formatura marque o início de uma trajetória sólida e brilhante”, afirmou.
Como último ato da cerimônia, os formados prestaram homenagem aos pais pelo apoio prestado ao longo da caminhada acadêmica, simbolizado pela entrega de uma rosa.


