Grupo de pesquisa da Unesc investiga condições de vida e saúde de imigrantes em Criciúma
Dar visibilidade a histórias, desafios e realidades muitas vezes invisibilizadas. É com esse propósito que a Pesquisa Migrar, desenvolvida pela Unesc, está ouvindo a população imigrante que vive e trabalha em Criciúma. O estudo busca compreender, de forma ampla, as condições de vida e saúde dessas pessoas, reunindo relatos e dados que podem transformar conhecimento em políticas públicas mais efetivas.
A iniciativa prevê a realização de aproximadamente 450 entrevistas com homens e mulheres que residem e trabalham na região, revelando aspectos fundamentais sobre acesso à saúde, saúde mental, experiências de discriminação, situações de violência e outros fatores que impactam diretamente o bem-estar dessa população.
A pesquisa é conduzida pelo Grupo de Pesquisa Atenção à Saúde e Epidemiologia (GPASEpi), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSCol) da Unesc, sob coordenação dos professores doutores Antônio Augusto Schäfer, Fernanda de Oliveira Meller e Isabel Oliveira Bierhals.
Além da relevância científica, o estudo também se destaca pelo envolvimento direto de 16 estudantes do curso de Medicina, que participam da coleta de dados como parte de seus Trabalhos de Conclusão de Curso. “A experiência aproxima os acadêmicos de diferentes realidades sociais e fortalece uma formação mais sensível e comprometida com as demandas da sociedade”, salientou Schäfer.
Para ele, compreender a realidade vivida pela população imigrante é fundamental para o planejamento de ações em saúde. “A migração é um fenômeno cada vez mais presente nas cidades brasileiras. Ao investigar as condições de vida e saúde dessas pessoas, conseguimos identificar vulnerabilidades e apontar caminhos para qualificar os serviços de saúde e fortalecer as políticas públicas”, destaca.
Na avaliação de Fernanda, o contato direto com os participantes amplia o olhar dos futuros profissionais da saúde. “Além de contribuir para a produção de conhecimento científico, a pesquisa possibilita que os estudantes tenham contato direto com diferentes realidades sociais, ampliando sua compreensão sobre determinantes sociais da saúde e sobre os desafios enfrentados por essa população”, explica ela.
A pesquisa pretende avaliar diferentes aspectos relacionados às condições de vida e saúde dessa população, incluindo acesso aos serviços de saúde, saúde mental, experiências de discriminação, situações de violência e outros fatores sociais que podem impactar o bem-estar dos imigrantes.
Segundo Isabel, iniciativas como essa são fundamentais para dar visibilidade às necessidades dessa população. “Os imigrantes, muitas vezes, enfrentam barreiras linguísticas, culturais e sociais que dificultam o acesso a direitos e serviços. Produzir evidências científicas sobre essa realidade é um passo importante para orientar ações e políticas que promovam maior equidade em saúde”, ressalta.
Com os resultados da pesquisa que iniciou na última semana, a expectativa é contribuir para o desenvolvimento de estratégias e políticas públicas mais eficazes, capazes de melhorar as condições de vida da população imigrante em Criciúma e em toda a região Sul de Santa Catarina.
Participe da pesquisa
Imigrantes que residem em Criciúma há mais de seis meses podem participar do estudo e contribuir para ampliar o conhecimento sobre essa realidade. O contato pode ser feito por meio do Instagram do grupo de pesquisa: @gpasepi.


