Universitários dos cursos de Saúde realizam visitas técnicas em Unidades Básicas de Saúde de Criciúma

Universitários dos cursos de Saúde realizam visitas técnicas em Unidades Básicas de Saúde de Criciúma

Cerca de 270 estudantes dos cursos de Enfermagem, Farmácia, Fonoaudiologia, Nutrição, Psicologia e Medicina da Unesc realizaram, entre os dias 3 e 8 de junho, visitas técnicas e entrevistas em Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Criciúma. A ação integrou o ensino e a comunidade, permitindo que os acadêmicos conheçam a Atenção Primária à Saúde (APS) e os determinantes sociais que influenciam as condições de vida da população.

 

A iniciativa faz parte do processo de curricularização das disciplinas Saúde e Comunidade e Interação: Serviços de Saúde e Comunidade I, viabilizada por uma parceria entre a Unesc e a Secretaria Municipal de Saúde. O projeto conta com o apoio dos professores Jacks Soratto, Leyce Rosa, Paola Galeli, Fabiane Ferraz e da residente Cristiane Sarda.

 

“A atividade possibilita que os estudantes compreendam a saúde em sua dimensão ampliada e reconheçam o território como espaço fundamental para a produção do cuidado. Conhecer a realidade das comunidades, seus modos de vida, potencialidades e desafios contribui para a formação de profissionais mais sensíveis às necessidades da população e comprometidos com os princípios do SUS”, destacou a professora Fabiane Ferraz.

A extensão foi desenvolvida em seis UBS nos bairros Próspera, São Defende, Mina do Mato, Quarta Linha, Pinheirinho e Mineiras. O trabalho permitiu aos graduandos observar de forma concreta a organização da APS, principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS), além de compreender o impacto dos fatores sociais no bem-estar coletivo.

 

Integração e retorno social

 

A proposta pedagógica alinha conteúdos teóricos, como o processo saúde-doença e a legislação do SUS, com a realidade vivenciada na região. Isso permite que os estudantes conectem os conhecimentos sobre determinantes sociais e a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) à prática em campo.

 

“Eles não apenas aprendem com a realidade, mas também contribuem para a produção de saberes que podem auxiliar na reflexão sobre as necessidades, potencialidades e desafios enfrentados pelas comunidades atendidas”, ressaltou a professora do curso de fonoaudiologia Leyce Rosa.

 

Durante as visitas, os grupos analisaram a estrutura e o funcionamento dos serviços. Foram observados aspectos como horário de atendimento, composição das equipes multiprofissionais, serviços ofertados, espaço físico, número de famílias acompanhadas pelas Estratégias Saúde da Família (ESF), organização das microáreas e formas de acesso aos atendimentos.

 

Aprendizado que transforma a formação

 

Além de mapear os serviços de saúde, os universitários percorreram bairros atendidos pelas unidades para avaliar o cotidiano local. Eles identificaram os espaços de lazer e os dispositivos sociais que dão suporte aos moradores. Cada estudante também entrevistou residentes para colher percepções sobre saúde, qualidade de vida, acesso aos serviços públicos e desafios diários.

“A experiência de visitar a UBS e as casas das pessoas foi muito importante para compreender melhor a realidade da comunidade. Além disso, pude perceber que a enfermagem é uma profissão que exige não apenas conhecimento técnico, mas também empatia, acolhimento e cuidado no atendimento à população”, relatou a acadêmica Nicole Regina Vieira Peltz, da primeira fase de Enfermagem.

 

O professor, também, dos Programas de Pós-graduação em Saúde Coletiva (PPPGSCol) e Gestão em Saúde (PPGGS), Jacks Soratto, menciona que a experiência também fortalece a educação interprofissional, reunindo universitários de diferentes cursos da área da saúde em um processo de aprendizagem compartilhado. 

“Ao conhecerem juntos os territórios e os serviços, os estudantes desenvolvem competências relacionadas ao trabalho em equipe, à comunicação interprofissional e à construção de práticas colaborativas, fundamentais para a qualificação da atenção à saúde e para o fortalecimento do SUS”.

 

Ao final do semestre, as informações coletadas serão analisadas e sistematizadas pelo grupo. O diagnóstico resultará na elaboração de materiais de devolutiva e socialização do conhecimento, como cartilhas, folders, infográficos, relatórios e outras estratégias educativas.